Sunday, September 02, 2007

Desabafos

Hoje, decidi pôr um ponto final nesta situação dúbia e frustrante que tem sido a minha vida nos últimos tempos. Hoje decidi recolher as cartas da mesa e voltar a baralhar tudo, começar de novo, com um jogo novo e novas personagens
Entraste na minha vida, com cuidado, mas apesar das barreiras revolucionaste o meu mundo.
Contigo tudo era novo, os voos sem rumo, os passeios à beira do abismo, o risco de naufragar de cada vez que mergulhava no teu olhar, e contrariamente à minha natureza, segui em frente…sem medos, disposta a não impor regras, a não fazer cobranças…
A jeito de Mafalda Veiga, a vida levou-nos por várias vezes para longe de nós, mas teimosos descobrimos o caminho de volta um para o outro. Mentira! Teimosos não…teimosa, porque tu nunca tiveste que descobrir o caminho de volta para mim, esse trilho esteve sempre à tua espera, uma estrada que queria ser percorrida…
Não sei bem o que se passou em mim durante estes três anos, nem o que se alterou agora para seguir em frente… algo quebrou. Não sei bem explicar como foi. Nem o que foi. Mas algo partiu dentro de mim, sem barulho, sem estilhaços. Numa qualquer implosão interior, abafada pelo silêncio do coração que deixou de bater.
Eu era a miúda que estava sempre à tua espera... mas hoje não sei continuar a esperar por alguém, o meu coração deixou de bater. Parei no tempo, esqueci-me de mim própria. Vou apagar a existência anterior e simplesmente pairar numa eternidade inexistente, tentando fossilizar sentimentos e esperar que alguém os descubra e saiba o que fazer com eles. Porque eu não sei. Esqueci-me. Ou não quero mais. Porque talvez não valha a pena um mínimo esforço para segurar periclitantemente as ruínas que teimam em resvalar.Vai, liberta-me, dá-me a paz que eu preciso, deixa-me viver, porque se quando chego, olho e não te vejo, é porque não te faço falta, e não tem sentido esperar por alguém para quem talvez nunca tenha existido.


Escrito em 29 de Julho

Tuesday, May 08, 2007

Vagabunda de nós

Na casa vazia,
Sentada,
Percorro a poesia,
Releio as palavras,
De rimas
Que já não são minhas,
Nem tuas,
São viagens ao passado.

Os meus olhos dançam,
Num torpor só.
Ao ritmo das recordações
Nelas reclusa.
Pela vida, vagueio,

Navego sem bússola
Arrasto-me sem âncora
Perdida.
Vagabunda de Ti,
Vagabunda de Nós.


Portimão
08/05/07

Saturday, April 21, 2007

O relógio

Olho,
Vejo estradas,
Pontes,
Caminhos
Sem saber qual o destino.
Procuro pontos,
Referências,
Quem sabe tendências
Mas,
Não me encontro
Estou, de costas voltadas para mim.

Impiedosamente o relógio marcas as horas,
Compassadamente divide os dias,
Peço-lhe clemência
Algumas horas de cedência
Mas, invariavelmente responde não.

O relógio marca as horas…
Da tua ausência…
Da minha solidão.

Algarve,
21 de Abril de 2007

Thursday, December 28, 2006

Como esquecer

Como esquecer-te se...
Em ti penso quando me deito.
Como esquecer-te se...
De ti me lembro quando acordo.
Como esquecer-te se...
Cada suspiro,
Cada sorriso,
Cada gesto de ternura
Te traz descrito e inscrito...
Como esquecer lembrança tua
Se de ti me sinto nua.
Como esquecer quem nunca me quis pertencer...



Vila Real,
27/12/2006

Friday, October 13, 2006

....

Era uma vez...
Um sorriso solto,
Um olhar displecente.


Era uma vez...
Um vento forte,
Um sol ardente.

Era uma vez...
Uma rapariga triste
De sorriso ausente.

Era uma vez...
Um toque fugidio,
Uma ternura para sempre...

Era uma vez...
O receio de me perder
Num voo sem rumo.

Era uma vez..
Um porto de abrigo,
Sempre colorido,
Nem sempre oportuno.

Era uma vez..
Um nunca prometer
De um passeio sem rasto

Era uma vez
Eu , por momentos...
Assim, de repente....
Sem laços!

Algarve,
11 de Outubro de 2006

Wednesday, September 27, 2006

Saudade doce sentir

Na sombra de um beijo…
No sorriso de um abraço,
Vejo-te...
Sinto-te!
Faltas-me.

Sinto-te na pele,
Toco-te,
Trago o teu cheiro preso em mim.

Acordo para o teu sorriso,
Numa sombra escondida,
Num mundo…
Onde o dia beija a noite.
E, nessa sombra escondida
De ti,
De mim,
Empurro-te para fora da minha vida
Como o dia empurra a noite,
Para bem longe da madrugada.

Fico sozinha contigo,
Presa,
Aninhada no teu pensamento
Recordando o teu olhar,
Na sombra do teu sorrir,
Só,
Com a saudade, doce sentir.


Portimão, 27 de Setembro

Saturday, September 09, 2006

No soluço de um comboio

Ao ritmo soluçante do comboio

Vejo-te passar por mim,

Cada vez mais rápido,

Até seres só, raios de luz.

Caminhamos em sentidos contrários,

Direcções distintas,

Rumo ao norte

Rumo ao sul.

Já não te vejo…

Sinto apenas

A brisa quente,

O ar movido

À tua passagem.

No início foste vendaval,

Remoinho…

Pensei que janelas calafetar

Para não te permitir entrar.

Passada a loucura

Fica o carinho,

Talvez, ternura?

Hoje, és raio de luz,

Brisa calma

Ao descer da noite.

Cai o pano,

Acaba a cena.

Mais um poeta

Da minha vida

Que se ausenta.


Algures num comboio entre Algarve e Lisboa

08-09-2006